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« Previous Page Table of Contents Next Page »Jornal SBC 112 | Novembro 2011 21
CARDIOLOGIA NA IMPRENSA
Cresce a doença de Chagas aguda
Desde 2008, a Anvisa alerta sobre o recrudescimento da doença de Chagas aguda na Região Amazônica. O fruto da palmeira açaí ou juçara é muito consumidona forma de sucos, sorvetes ou até em produtos medicinais, mas, preparado artesanalmente, não é produzido de forma higiênica e raramente é pasteurizado, o que contribui para o aumento da doença.
Dr. Abilio Fragata, pesquisador dessa doença e diretor de Cardiologia Clínica do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC), nos detalha o que está acontecendo:
“A doença e seu agente etiológico, o Trypanosoma cruzi, foram descritos por Carlos Chagas em 1909. As campanhas de erradicação do principal vetor Triatoma infestans, a partir de 1975, obtiveram êxito e, em 2006, a OPAS e a OMS conferiram ao Brasil o certifcado internacional de interrupção dessa forma de transmissão, por esse agente.
Outro mecanismo, o segundo em importância, é a transfusão sanguínea. Caracteristicamente, os pacientes comprometidos apresentam febre em quase a totalidade dos casos. Medidas preventivas tornaram inexpressiva essa forma de transmissão no Brasil.
Mecanismo mais raro de transmissão (0,5% a 3% no BR), o vertical (transplacentário) foi aventado por Carlos Chagas em 1911 e demonstrado por Dao na Venezuela nos anos 1940.
Com o controle desses mecanismos de transmissão, mudou o perfl epidemiológico da doença, com aparecimento de casos agudos na Amazônia Legal, especialmente por transmissão oral e mais raramente pela vetorial (não por domiciliação do triatomíneo, que não é o Triatoma infestans, mas sim pela entrada do homem na foresta).
O Prof. JR Coura (Fiocruz) descreveu a transmissão oral da doença de Chagas (1966), ocorrida em Teotônia (RS). Seguiram-se episódios em Catolé do Rocha (PB) e Santa Catarina, com a ingestão de caldo de cana, em cujos feixes colocados na moenda havia “ninhos”de barbeiros contaminados. Recentemente, houve vários casos agudos na Amazônia Legal relacionados ao consumo do suco de açaí e bacaba (fruto de palmeira de mesmo nome na Região Amazônica). No período entre 2000 e 2010, foram registrados no Brasil 1.086 casos de doença de Chagas aguda (casos agudos são de notifcação compulsória), assim distribuídos:
Responsável Nabil Ghorayeb ghorayeb@cardiol.br www.cardioesporte.com.br
Casos agudos prevalentemente por transmissão oral:
A doença de Chagas aguda é de baixa letalidade, sendo consenso que o tratamento parasiticida com benzonidazol (7,5 a 10 mg/Kg/dia por 60 dias) deva ser instituído.
É importante o conhecimento desses mecanismos de transmissão da doença de Chagas, pois alguns deles – na atualidade, a transmissão oral em particular – democratizaram essa enfermidade tão negligenciada pelos Órgãos Públicos e que vem recebendo da Organização Mundial da Saúde uma atenção especial, haja vista a distribuição não desprezível de casos por todos os continentes, transmitidos por transfusão de sangue.
1. http://portal.saude.gov.br
2. Consenso Bras em D de Chagas. Rev Soc Bras Med Tropical, 2005; 38: supl. III. 3. I Diretriz Latino Americana de Cardiopatia Chagásica SBC. ABC 2011; 96(6): 434-42
“Óbitos e taxa de letalidade dos casos com DCA. Brasil, 2006 a 2010.”
Ano Nº casos Nº óbitos Letalidade (%)
2006 113 7 6,19
2007 161 4 2,48
2008 131 1 0,76
2009 258 2 0,78
2010 134 4 2,99
Fonte: SVS/MS. Dados sujeitos à modifcação. Dados atualizados até abril de 2011.
Casos de Doença de Chagas aguda (DCA). Brasil, Grandes regiões e Unidades Federadas, para os anos de 2007 e 2010.
Região/ UF 2007 2008 2009 2010 TOTAL
Norte 157 124 251 91 626 AP 19 20 15 3 60
PA 109 99 231 59 498
AM 28 3 23 54
AC 2 5 7
TO 1 5 6
RO 1 1
Nordeste 3 7 1 21 32 MA 2 5 1 8
PI 1 1 8 10
CE 1 1
PB 2 2
PE 9 9
SE 2 2
Sul 4 2 6 PR 4 1 5
RS 1 1
Centro-Oeste 1 5 19 25 MT 1 1
MS 5 3 8
GO 16 16
Brasil 161 131 261 133 686
Fonte: SVS/MS. Dados sujeitos à modifcação. Dados atualizados até agosto 2011.
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